Avaliar uma estratégia de prospecção B2B exige entender o que o cliente comprou, como avançou até a proposta e qual era sua aderência à oferta. Um excelente contrato pode gerar retorno e, ainda assim, não comprovar que o caminho merece mais investimento.
Por isso, antes de ampliar a aposta, precisamos examinar o que aquela venda realmente permite concluir. O desafio é distinguir uma conquista excepcional de um resultado que temos condições de repetir.
Uma venda isolada valida a estratégia de prospecção?
Acompanhei uma empresa que vinha apostando havia meses em prospecção fria em grande escala. Contatava milhares de empresas por mês porque um de seus principais clientes havia chegado por aquela abordagem.
O cliente era excelente. A conquista, porém, permanecia isolada. Ainda assim, seu peso no negócio sustentava a expectativa de que aumentar o volume de contatos traria outros clientes semelhantes.
Ao examinarmos o histórico das tentativas, o empresário reconheceu que aquela venda era uma exceção. Portanto, o volume, por si só, não sustentava a aposta.
A partir dessa compreensão, mudamos a direção do trabalho. Saímos da prospecção fria em grande escala e começamos a construir uma prospecção relacional. A mudança nasceu do aprendizado sobre aquela conquista e as demais tentativas.
Quando o resultado comercial esconde outra demanda
Eu compreendo a dificuldade de questionar uma abordagem que trouxe um ótimo cliente. Afinal, uma relação valiosa pode nos cegar para os limites do que aquela venda comprova.
Uma venda pode validar o acesso à empresa sem validar a oferta que pretendíamos vender. Por exemplo, se uma campanha apresenta um serviço e o cliente compra outro, houve um resultado comercial positivo. Mas precisamos entender em qual parte da estratégia acertamos e o que merece revisão.
O faturamento reúne tudo numa mesma conta. Por isso, para orientar a próxima decisão, precisamos distinguir a oferta que despertou interesse, a jornada que levou à compra e o perfil de quem comprou.
O custo de ampliar uma estratégia pouco compreendida
Como CEO, você precisa decidir onde colocar mais tempo, equipe e orçamento. No entanto, quando uma conquista excepcional vira referência para o próximo ciclo, a empresa assume compromissos antes de compreender o que pode repetir.
Se o retorno não acompanha o investimento, a frustração é legítima. Afinal, havia uma venda real sustentando a decisão. Um bom resultado deveria nos deixar mais preparados para a próxima escolha, produzindo aprendizado sobre as condições que o tornaram possível.
Como avaliar a estratégia de prospecção em quatro passos
Para avaliar sua estratégia de prospecção B2B, recomendo examinar quatro pontos.
1. Entenda o que o cliente efetivamente comprou
Compare a oferta apresentada com o contrato fechado. Se a campanha gerou a contratação de outra solução, investigue a diferença. A abordagem pode ter aberto uma porta, enquanto a compra revelou interesse em outra parte do portfólio. Dessa forma, é possível delimitar o que foi validado e identificar onde existe demanda.
2. Analise a jornada até a proposta
Ao vender uma solução específica, recomendo que a descoberta seja seguida por uma conversa de validação de interesse naquela oferta. Assim, reunimos elementos para decidir se vale apresentar uma proposta e incluir a oportunidade no funil da solução.
Se a conversa migra para um diagnóstico de projeto sob medida, o avanço aponta para outra demanda. Portanto, registre essa diferença ao avaliar a jornada dos clientes potenciais.
3. Verifique se o ICP é específico para aquela oferta
O perfil de cliente ideal (ICP) da empresa pode ser amplo demais para qualificar um produto, serviço ou unidade de negócio. Por essa razão, defina critérios de aderência àquela solução.
Uma empresa pode ser um ótimo cliente para uma parte do portfólio e ter pouco interesse em outra. Sem essa distinção, o volume de reuniões pode esconder uma baixa aderência à oferta.
4. Procure repetição em condições comparáveis
Outros clientes com perfil semelhante avançam pela mesma jornada e compram a mesma solução? Além disso, quantas tentativas foram necessárias e quanto esforço foi empregado?
Analise as conquistas junto com as abordagens que não avançaram. Desse modo, o peso de um excelente contrato passa a ser considerado dentro desse histórico.
Um cliente que pagou o investimento comprova a estratégia?
“Mas esse cliente sozinho já pagou todo o investimento.”
Se pagou, esse retorno merece ser reconhecido. De fato, uma estratégia pode ser economicamente viável com poucos contratos de alto valor.
Por exemplo, isso aconteceu com um antigo cliente meu que prospectava empresas de grande porte, as chamadas contas enterprise. O primeiro cliente vindo da estratégia de prospecção que construímos chegou apenas um ano depois. Ainda assim, aquele contrato pagou todo o investimento feito.
Mais uma vez, porém, era uma exceção. Passar um ano prospectando para converter um único cliente, mesmo de grande porte, exige questionar o caminho e as condições para repetir o resultado.
Assim, antes de aprovar o próximo investimento, precisamos avaliar a possibilidade de conquistar os seguintes. Quais condições favoreceram aquela compra? Elas aparecem em outras oportunidades? O esforço necessário cabe na operação?
O contrato demonstra o retorno que tivemos. A decisão de continuar investindo, por outro lado, exige explicar o que sustenta a expectativa de retorno futuro.
Quando ampliar, ajustar ou reavaliar a prospecção
A análise deve levar a uma decisão. Ao avaliar os resultados da prospecção, eu usaria os sinais encontrados para distinguir três encaminhamentos.
Ampliar: quando aparecem conquistas comparáveis, com aderência à oferta e esforço economicamente sustentável, há fundamento para aumentar o investimento de forma gradual. Ao mesmo tempo, acompanhe se o padrão se mantém.
Ajustar: quando existe interesse, mas as conversas e as compras apontam para outra solução ou outro perfil, revise a oferta, o público ou a jornada antes de ampliar a campanha.
Reavaliar a continuidade: quando as tentativas acumuladas não sustentam a expectativa que justificou a aposta, estabeleça o que ainda precisa ser testado e em que prazo a iniciativa será revista. Continuar exige, portanto, uma hipótese que possa ser examinada.
No caso que mencionei no início, essa revisão levou à construção da prospecção relacional. A decisão respondeu ao histórico daquela empresa.
Cada venda deve melhorar a próxima decisão
Dessa maneira, você ganha critérios para concentrar recursos nas apostas mais bem fundamentadas. Além disso, o cliente conquistado continua sendo motivo de orgulho e passa também a contribuir para o aprendizado comercial.
O valor de um cliente para a empresa pode ser muito maior que o valor daquela conquista como evidência para repetir uma estratégia.
Antes de ampliar o investimento na sua estratégia de prospecção B2B, vale perguntar: o que aprendemos sobre a oferta, a jornada e o perfil do comprador que justifica a próxima aposta?
Estudo de Caso
Uma estratégia de prospecção B2B para empresas de tecnologia costuma ser associada ao aumento de listas, contatos, cadências e reuniões. Entretanto, neste caso, o avanço veio de outro lugar: mais foco de mercado, melhor narrativa, uma oferta de entrada adequada, relacionamentos ativados com método e governança sobre o funil.